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Adotar um animal é um ato de amor e responsabilidade
 
Pra quem já percebeu a falta que faz um pet, não custa nada parar pra pensar antes de assumir essa responsabilidade.

 
 
Creio que a primeira pergunta que vem à cabeça daquele que pretende ter um animal de estimação seja "Por que devo ter um?” Bem, respostas não faltam e a imensa maioria delas favorece essa aquisição. A gente tende a pensar no que o animal pode nos favorecer. Até pesam fatores que contem contra (como a sujeira e as despesas) e algumas vezes nos esquecemos de alguns que são também muito importantes como o tempo de vida daquele animal e ás vezes em que ele será um inconveniente para viagens e o cumprimento de alguns compromissos.
 
E eu vou lhe antecipar que ainda existe um fator no qual poucas pessoas pensam ao se decidirem por ter um animal.  
 
Mas, vamos por partes
 
O animal bem educado será sua companhia nas horas solitárias em seu lar, pode ser um parceiro para suas caminhadas e momentos de exercício ao ar livre, talvez ajude na guarda de sua casa, pode até ser um despertador persistente para quem tem o sono pesado e uma vida bastante regular em termos de horários e, sem nenhum esforço, se tornará insubstituível em seu coração em pouquíssimo tempo.
 
Ele irá precisar de tempo para alimentá-lo, para cuidar da limpeza de seu próprio espaço, exigirá que você exercite a sua paciência para ensiná-lo e, se quiser uma experiência ainda mais vivaz, você a terá ao explorar as literaturas disponíveis no mercado para adestramento e melhor conhecimento da espécie.  Lembre-se que ele viverá entre oito e quatorze anos, podendo passar disso e se antecipar na partida um pouco... infelizmente. Não se engane, a partida dele será dolorosa pra você. Se não quiser vivê-la, não inicie essa experiência.
 
Somente se lembre de que o bom de cada vivência é imaginar a sombra em que estaríamos se não a tivéssemos. Nunca ter tido um animal é viver num oceano de marasmo, pois as pessoas são sempre tão previsíveis...  Como veterinário, devo lembrá-lo de que, como nós, os animais se tornam senis e que, nesse momento, exigirão gastos. Da mesma forma, acidentes acontecem e devemos evitá-los. Ter mais de um cão, por exemplo, permite que ambos tenham um ao outro como companhia na sua ausência, mas também permite que brigas e cruzamentos indesejáveis ocorram.
 
Se você tem pouco tempo diário para dedicar a seus cães, esqueça a hipótese de ter quatro ou cinco.  Ter mais de cinco, já me parece pouco razoável a menos que você viva para essas relações, o que não será ruim de maneira alguma. Algo que poucas pessoas se lembram ao se perguntarem por que ter um animal é que a companhia humana é simplesmente tudo o que falta àqueles animais que nada tem. Estes seguem abrigados às centenas em canis e gatis, sustentados e mantidos pelo desprendimento de pessoas que se dispõem a esse papel sem qualquer estímulo oculto ou interesse financeiro.
 
Na imensa maioria das vezes, tudo o que essas pessoas gostariam é de "poder pegar só mais esse...” (que numa manhã apareceu magérrimo à sua porta porque seus vizinhos sabem que elas socorrem todos os que encontram nessa condição). São os chamados "protetores”. É uma parcela ínfima de pessoas que prefere ajudar animais a ajudar crianças de rua, ou os velhinhos de asilo, ou os mendigos de viaduto... até porque todas essas classes de criaturas de Deus PRECISAM de assistência e alguém precisaria cuidar dos animais. 
 
Ao se decidir por ter um cão, abandone o seu preconceito, peça ajuda a um conhecedor do comportamento animal e visite três ou quatro canis e gatis em busca de um amigo. Permita-se ser desejado por um animal. Não se sinta o centro do mundo, buscando na internet entre milhares de canis ou gatis, um que lhe chame a atenção. Mostre-se melhor e busque entre milhares de corações quase indecifráveis e carentes qual será aquele que você se permitirá não esquecer nunca!
 
Um consultor do comportamento animal poderá escolher dentre um grupo qual seria o exemplar mais capaz de cumprir com todas as suas expectativas e ainda poderá mostrar-lhe qual é a forma mais produtiva para atingir esta meta. 
 
Onde é mais fácil ler o caráter de uma pessoa? Num berçário, ou nas fileiras de uma boa escola? É por isso que o conhecedor de comportamento conseguirá ajudar na escolha do animal. E se você acha que pode moldar o caráter de um animal se pegá-lo bem jovem num canil ou gatil de internet, saiba que eu tenho visto mais frequentemente na minha profissão, pessoas que aprendem a conviver com os defeitos de um filhotinho que não souberam educar quando pequeno.
 
Ou seja, saber trabalhar um filhote é tão ou mais fundamental que saber escolher uma raça.Só não apareça em um abrigo de animais perguntando "que raça vocês tem?”!!! Talvez a melhor característica dos animais ali mantidos seja a autenticidade... Nesses animais não cabem padrões, cada um tem o tamanho exato que poderia ter para cumprir sua missão. 
 
Por: Gilson Dias Rodrigues - Médico veterinário
CRMV-MG 7785
Fale conosco: contato@direitosdosanimais.org
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