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Quando a desinformação abre espaço para o sofrimento
 
Informação, bom senso, sensibilidade também são fundamentais para evitar sofrimento aos animais.
 
 

Todo bom motorista sabe sobre a importância de calibrar os pneus do carro na sua rotina. Toda dona de casa sabe sobre o risco do uso de água sanitária na lavagem das roupas. Todo passageiro sabe que existem lugares nos ônibus que são reservados para aqueles usuários que, por alguma razão, precisam de salva-guarda para um transporte mais seguro.      
 
Mas seria culpado o homem que não sabe que roupas coloridas e água sanitária não são bons amigos? E quanto àquele que sempre andou de ônibus? Caso se atreva a assumir um financiamento de um carro, terá desconto na compra de novos pneus para substituir os que não foram devidamente cuidados? Claro que não!!! Ambos precisam se informar para evitar este tipo de prejuízos.
 
A pessoa que se sentar nos lugares reservados dos ônibus, num país de pessoas educadas, será solicitada a ceder este assento para quem é de direito. Nos dois primeiros relatos, o prejuízo financeiro é educativo, no último, o professor é o constrangimento. Mas e quando o assunto é um tutor ou proprietário mal informado, em que condições caracterizam-se os maus tratos sobre um animal? Quanto você precisa conhecer sobre sua mascote para evitar cair nessa situação? Aí está uma pergunta difícil... O bom senso ajuda muito, ter empatia pelo próprio animal é fundamental, mas não basta...
 
Vale se aconselhar sempre com um veterinário até mesmo antes da escolha de sua companhia. Para exemplificar, alguns cães podem ser portadores de pequenos defeitos genéticos relacionados ao desenvolvimento de seu esqueleto ainda dentro do ventre materno. Para estes cães, passeios prolongados, excesso de peso, estimular o animal a ficar em duas patas ou a transitar inadvertidamente por escadas e até mesmo permitir que esse cão realize a cruza podem ser considerados como maus tratos.
 
Todas estas situações determinam um esforço justamente sobre o ponto fraco destes animais especiais (que não são raros, até porque os problemas que afetam seus esqueletos são bem variados se considerarmos os determinados geneticamente e/ou pela idade). Alguns exemplos: displasia coxo-femoral (mais comum em cães maiores), desvios de patela (mais comuns em cães menores), necrose asséptica da cabeça do fêmur, hérnias de disco intervertebral, os "bicos de papagaio”, artrites e artroses, etc.. Somente um profissional capacitado poderá te informar sobre como se portar nesses contextos e em muitos outros.
 
Dentro do meu trabalho, já vi por mais de uma vez, ocasiões em que animais foram submetidos a um esforço tão grande que precisaram ser internados. Animais que caminharam ao sol por horas e sofreram queimaduras nos pés, insolação e desidratação. Aves que permaneceram ao sol por mais tempo que o suportável. Cães deixados juntos para o cruzamento sem acompanhamento de seus tutores e que cruzaram por tanto tempo que chegaram a se ferir ou a ficar exauridos pelo esforço da monta.
 
Cães que foram submetidos a provas de força tão intensa que lesionaram os ligamentos que unem as primeiras vértebras aos ossos do crânio. E, nesses casos só bastava uma boa dose de sensibilidade e bom senso. Quando faltam-nos essas qualidades, até mesmo um exercício de adestramento aplicado por tempos superiores aos desejáveis são suficientes para caracterizar maus-tratos. 
 
Em todas as situações da vida, bom senso é fundamental, mas para os animais que se esforçam acima de sua resistência para nos acompanhar, para nos satisfazer, para cumprir seu papel biológico ou mesmo por falta de outra opção, falhar na aplicação deste bom senso é inadmissível.
 
Por: Gilson Dias Rodrigues
Médico veterinário: CRMV-MG 7785 
Fale conosco: contato@direitosdosanimais.org
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