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Afinando relações
 
 
Valorize a amizade conhecendo aquele convidado que está pra chegar em sua vida.
 


Há alguns séculos, nas senzalas, via-se o senhor de engenho escolher os filhos daqueles negros mais fortes como uma mercadoria e, baseando-se no padrão de seus pais, atribuía-lhes preços mais altos. Àquele tempo, tais atitudes eram tidas como normais, por mais absurdas e desumanas que fossem. Naturalmente, a "ficha caiu” para a espécie humana e é numa velocidade muito abaixo da desejável que a escravidão vai secando suas raízes na humanidade ainda em pleno século XXI. 
 
Quando o assunto é assumir um amigo pet, por que fazemos tanta questão de poder enquadrá-lo em um grupo definido, baseando-nos nas características genéticas de seus pais? E o pior: por que somos tão intransigentes em querê-lo filhote? Como na matéria postada na semana passada, eu posso assegurar-lhes que vejo famílias se adaptando aos maus hábitos de cães mal-educados muito frequentemente. As famílias que se aproveitam do padrão comportamental que uma determinada raça poderia proporcionar são a esmagadora minoria. 
 
Para ser mais claro, toda semana vejo proprietários lutando contra shih-tzu’s, poodles, labradores que, apesar de serem cães de companhia, mordem todos os familiares ao precisarem de um tratamento de ouvido. Por outro lado, levo semanas para ver um cão grande que não puxe a sua guia durante o passeio. A existência de um padrão racial parece oferecer aos futuros proprietários a ilusão de que nada precisarão fazer pela educação de seus animais. Como se o virtual filho de Einstein com a Irmã Dulce não precisasse de igreja e escola. 
 
Ao se associar a um pet que irá acompanhá-lo por cerca de dez anos, pense no quanto aquelas horas de interação produtiva entre você e ele podem representar em termos de um convívio mais pacífico entre vocês ao longo de tanto tempo. Um macho que não aprende quem é o líder da casa tende a fazer xixi pelos cantos de todo apartamento. Uma fêmea que late ao menor sinal de barulho no elevador pode ser o pivô de uma briga entre vizinhos. O cachorro que sai pela rua correndo toda vez que a porta da garagem se abre pode ocasionar um grave acidente de trânsito além de se ferir.       
 
 Pequenas atitudes precisam ser tomadas e conceitos arraigados na nossa rotina precisam mudar, mas dado este primeiro passo, o restante é como remar rio abaixo. Conhecer os conceitos mais básicos da psicologia daquela espécie (cão, gato, ratos, periquitos e outros) que irá dividir o espaço com você ao longo de dez anos ou mais é o caminho das pedras para estabelecer uma linguagem enriquecedora. E quando assistimos nosso esforço em educá-los ressurgindo em forma de um novo comportamento que nos facilita o dia-a-dia, a satisfação é dobrada. 
 
Ter um cão que faz xixi no lugar certinho é só o início dos grandes ganhos que um pouco de conhecimento prévio e dedicação mínima pode produzir. 
 
Por: Gilson Dias Rodrigues
Médico veterinário: CRMV-MG 7785 

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